domingo, 19 de abril de 2009

Daniel vai pra galera!

escultura "cavalo a tropeçar" do genial Salvador Dalí


Animado pela não tão recente adaptação cinematográfica ("Cão sem Dono" de Beto Brant), baseado em livro do autor acima, Daniel Galera, resolvi conhecer algo mais do escritor multimidia da novíssima geração de escritores do sul do Brasil, mais especificamente o livro de estréia na Companhia das Letras, "Mãos de Cavalo", quase um primeiro romance de um escritor de apenas 27 anos, que começou escrevendo na internet e agora atinge o mainstream tão em voga nos dias atuais. Verdadeiro escritor/personalidade, que inclusive toca numa banda de Rock "sem compromisso".
Vai passear muito em festas literárias meu filho!!!!!! Quem sabe tomar uma cuba libre com Pedro Juan Gutierrez.
O livro nos mostra uma cidade de Porto Alegre na visão de um personagem, Hermano vulgo "Mãos de Cavalo", em diferentes fases de sua vida, na infância, adolescência e vida adulta e como o passado acaba por influenciar e direcionoar equivocadamente suas escolhas no futuro, na já citada vida adulta, levando-o a enfrentar desafios de um vazio profundo(uma escalada na Bolívia com um amigo estranho) um casamento de aparências, apenas para justificar a covardia reinante em fases anteriores de sua formação, na infância e na adolescência.
Então é um livro que Freud explica! Ou não explica? ou complica para depois descomplicar!?
O narrador leva o nosso "hermano" adulto e suas mãos incomuns a um retorno improvável ao passado, aos primeiros tombos de bicicleta, à primeira namoradinha, aos amigos impagáveis e muitas vezes violentos e apaixonantes, ao primeiro contato com a morte e principalmente à covardia que deixou um amigo(Bonobo) agonizar e "partir desta para melhor".
O livro aliás tem tudo a ver com a frase de Nicolas Cage que o precede: "Eu caminhava para a escola e ia imaginando planos em que uma grua subia aos poucos e me via lá embaixo como um pequeno objeto no meio da rua, caminhando para a escola".
Daniel portanto foca sua grua com sua câmera para diferentes pontos de partida, para diferentes momentos da vida do protagonista, como se ele mesmo(protagonista) fosse o diretor do filme.
O livro é um tanto quanto porto-alegrense, para alguns críticos "bairrista" sofre de falta de estilo sendo que em alguns momentos o autor prefere a linguagem chula das ruas para depois rebuscar o texto. Ou seja nos dá a impressão de alguém ainda em formação. Não completo.
Mas com um pouquinho de condescendência(o cara é novo e coisa e tal...), deixando a nossa frescura de lado dá até para encarar.
Voilá! Existe algum lirismo, alguma poesia nesse retorno às origens de forma tão singular. A história em três tempos ajuda a não cansar e manter o interesse do leitor, mas por momentos sinto(o que aliás é normal) em escritor tão novo, que ele perde a mão e com o devido respeito à liberdade de expressão: "enche um pouco a linguiça" e entra num detalhamento na maioria dispensável.
Mas enfim. O livro tem que ter várias páginas né!!!!! É a maldição do romance.....
Livrinho bom para ler na minha querida Delfinópolis, MG, entre trilhas, cachoeiras e pedaladas.
E como ando metido à ciclista atualmente, transcrevo um trecho onde Daniel define o seu ciclista urbano : "suas pernas possantes forçam alternadamente os pedais, direita, esquerda, direita, esquerda, medindo a inclinação da subida a partir da força exigida dos músculos da coxa e da panturrilha em cada volta completa da coroa dianteira. As solas dos pés e as palmas das mãos processam cada vibração transferida dos pneus para o guidom e para o quadro da bicicleta, fazendo microajustes de direção e equilíbrio numa velocidade mais rápida que a do pensamento. O trecho de subida que é preciso enfrentar ao sair de casa é curto e serve para azeitar as articulações e aquecer os músculos."
Uau! Será que o Daniel é ciclista? Vou convidá-lo para andar de bike com nossa turma qualquer dia destes! Quem sabe ele me esclarece se as crianças peladas escalando a montanha de pedra na capa do "Houses of the Holy" do Led Zeppelin são ou não são os filhos do Robert Plant.
Não entendeu? Então leia o livro "Mãos de Cavalo" de Daniel Galera, Cia das Letras, 1a. edição, página 136.

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