quinta-feira, 9 de setembro de 2010

PAREI DE BEBER

Gilles Deleuze - no espelho

Parei de beber. Resolução difícil. Encarar minhas misérias sem paliativos. Aceitar sem fuga meu mal de Montano e outros males diversos. Mas as doenças impulsionam... Não posso ir contra o novo homem submisso que está por vir ou já chegou se me submeto. E agora? Sentir prazer nos clichês da vida. Ver que existe vida antes das nove horas da manhã. Sentir o frio desta cidade ardente e de céu azul em contraste com a negra fuligem da queimada de cana. Terra do Álcool.(ironia?). Olhar para dentro e explorar novos sentidos solitariamente... Mas não estou só. Até Chico Buarque parou de beber após uma breve consulta a um feiticeiro. Tony Platão e Denis Hopper também(“como é bom estar sóbrio”D. H). E João Ubaldo Ribeiro conseguiu tal façanha sem se desvincular do circulo vicioso e viciado de seus amigos cachaceiros. É possível? Não sei...Só sei que no meu caso não da mais para levar uma vida de adiamentos e fugas. Estou agora na fronteira de Gilles Deleuze(1925/1995) “A fronteira é muito simples. Beber, se drogar, tudo isso parece tornar quase possível algo forte demais, mesmo se se(sic) deve pagar depois, sabe-se, mas em todo caso, está ligado a isto, trabalhar, trabalhar. E é evidente que quando tudo se inverte, e que beber impede de trabalhar, e a droga se torna uma maneira de não trabalhar, é o perigo absoluto, não tem mais interesse, e, ao mesmo tempo, percebe-se, cada vez mais, que quando se pensava que o álcool ou a droga eram necessários, eles não são necessários.” Talvez tenha sido necessário para Bukowski já que seu trabalho literário estava intimamente ligado ao ato de beber. Na minha atormentada cabeça funciona mais ou menos assim: Não dá para entrar para o Planet Hemp e não ficar chapado. Ser um “personal trainner” gordo e mal cuidado, um “personal coach” mal sucedido e fracassado ou um jogador de futebol gordo e decadente(quem será? rsss). E quando estamos na fronteira entre a pradaria e o abismo sem saber que rumo tomar é preciso trabalhar, trabalhar... como Deleuze, com a mente sóbria. Viver a vida possível e não ter um lampejo cintilante, falso e brigar com a ressaca de três dias. Com a interminável e reincidente dor física e moral na cabeça. Cansei. Pausa para um “upgrade” na minha vida! E sem moralismos por favor. Se beber ainda é bom para você continue! Tenho grandes amigos que só conseguem trabalhar bebendo; tocar guitarra chapado; escrever textos brilhantes de ressaca. Se amanhã isso tudo fizer algum sentido novamente eu volto para o bar e não aceito censuras! Viva o grande Tim Maia!!! Não tenho interesse em ser exemplo para ninguém já que na referida matéria cada um tem seu limite, seu próprio fígado. Só acho que a avaliação pessoal é necessária. Sempre. Desta feita individualmente e voluntariamente assumo o meu radicalismo particular e momentâneo baseado em um novo contexto de uma nova filosofia de vida que acabo de criar ou aderir. Parei de beber no dia 7 de setembro de 2010. Por simultaneidade é o dia da independência. E esse é o meu grito! ( e o eco virá - com certeza – espero que seja bom!!).

Um comentário:

Eliane Ratier disse...

Bom demais! Tem gente que só produz aditivado porque nunca tentou de outra forma e quando tentou, e não conseguiu de primeira, nem cogitou que pudesse ser assim, uma falta de inspiração ou que o cérebro precisava fazer outra conexão, talvez menos rápida que com um shot. Cada louco com sua mania. De qualquer forma, nós consumidores de arte, aproveitamos os resultados, aplaudindo, realimentando a crença.
Bom demais te reencontrar, vou colocar teu link na minha lista do blog.Beijo