quarta-feira, 16 de junho de 2010

Rubem Alves, Ziraldo, Ana Paula Maia e Herbie Hancock(???)


Ouvindo “empty pockets” de Herbie Hancock lá vou eu em mais um texto no ritmo do Jazz e de bolsos vazios. Feira do livro Ribeirão Preto 2010. Primeiro foi o Rubem Alves em concorrida palestra no Teatro Pedro II. E não é que o velhinho é engraçado? Cheio das metáforas espirituosas. Comparou inteligência com pênis e frescobol com tênis. Gostei. Os velhinhos estão cada vez mais despudorados. Aquela coisa permissiva que só a idade oferece. Depois foi o Ziraldo. Mais um velhinho engraçado. E em determinado momento um menininho muito do "maluquinho" chamado João Artur lhe perguntou. “De onde vem sua idéia?”. Ótimo. Gostei também. A resposta melhor ainda. “-da bunda!” E contou a estória do turco que veio para o Brasil e foi maldosamente informado que cabeça em português era bunda. E a Nana Caymmi passando o som! Uma velhinha hiper talentosa e nada engraçada!!! Sei lá. Ouvindo suas belas canções sempre recebo a triste visita da melancolia. Ao contrário do seu papai é claro que tinha a alegria estampada no semblante baiano. E hoje teve uma palestra de uma escritora nova. Ana Paula Maia. Escritora bonitona, com uma camiseta dos Ramones, toda dark, séria, não bebe, acorda cedo para escrever, pesquisa os temas a serem trabalhados e tem uma postura inconscientemente punk/Marxista. Escreve sobre o homem comum, o trabalhador das minas de carvão, do lixo do "serviço sujo". Aparentemente gostei também. Seu blog e bem legal (Killing Travis) e tem uns contos gratuitos. E comprei o livro “Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos”. Belo título. Com dedicatória e tudo. Futuramente comento. E teve o tradicional chope no Pinguim. Dr. Sócrates e o Caxassa também estavam lá.(como sempre!). E termino este texto ainda na companhia do Hancock – “I have a dream”. Um não. Vários! Bolsos vazios e sonhos a serem realizados. Aqui vou eu! E para melhorar o visual do Blog aí vai uma foto da simpática Ana Paula Maia.

domingo, 6 de junho de 2010

Lawrence Ferlinghetti Um parque de diversões na cabeça


“Um parque de diversões na cabeça”; que título legal não? Lawrence Ferlinghetti é daqueles escritores doidões da Califórnia(EUA) que tem uma idéia na cabeça e um ácido ou um cigarro de maconha na mão. E em alguns momentos na inconstância do livro (passagens e poemas ininteligíveis) somos agraciados com pérolas como esta jóia rara em alusão a um anti-natalismo comercial(se é que isso existe?): “Cristo Abandonou/Sua árvore desnuda/este ano e furtivamente fugiu rumo/ao útero anônimo de Maria outra vez/onde na escuridão da noite/das almas anônimas de nós todos/Ele aguarda novamente/uma inimaginável/e impossível/Reconcepção Imaculada/na mais doida de todas/as segundas vindas.” Esse poema serve para ilustrar um pouco a tônica do livro. Uma utopia, um desencaminhar os passos monótonos do leitor para uma direção contrária. Certa ou não pouco importa. O julgamento não tem parada; o importante é deixar fluir as novas idéias. Voltando aos momentos “ininteligíveis” poderia culpar a tradução, caso o livro que tenho em mãos não fosse em edição bilíngüe. O original em inglês ao lado da tradução. E pude observar que a tradução dos meninos Eduardo Bueno e Leonardo Fróes está muito boa, muito próxima do original americano. Concluo pois que o cara realmente tem um “parque de diversões na cabeça”. Portanto livro para se divertir e garimpar. Ferlinghetti é conhecido como o pai dos beats, criou a Cult editora e livraria “City Lights” editou livros de Jack Kerouac e Ginsberg(inclusive "O uivo") e continua o mesmo doidão de sempre. E seguindo o conselho do próprio escritor li o livro escutando um disco de Jazz com “The Dave Brubeck Quartet” “Time Out”. E deixei os poemas fluírem com a música sem censura. Já dizia Clarice Lispector: “viver ultrapassa todo o entendimento”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Carta ao Pai Franz Kafka


Tive um retorno aos clássicos. As vezes necessitamos voltar no tempo para perceber que tudo já foi dito, só mudando o involucro, a roupagem. (e fico pasmo em saber que o cara não tinha nem computador ohhhh! Abre o olho galera do you tube!). Bem, impossível ler esta carta/livro/monólogo "Carta ao Pai" e não observar de súbito a importância literária e psicanalítica da mesma. Também não há como não analisar a nossa postura como pai, como filho ou vice-versa. Uma verdadeira porrada no estomago contra o pai tirano, que com sarcasmo prefere satirizar as preferências do filho e enaltecer suas próprias vivências. Pura vaidade. A velha ladainha do árduo esforço paterno em vão para a criação de filhos tão diferentes do sonho idealizado. E hoje observamos de camarote que uma das maiores personalidades literárias da história não foi reconhecida pelo próprio pai que questionava seu estilo de vida, seus livros, seus amigos, sua forma peculiar de religião e até suas pretensas esposas. Quanta mediocridade. Portanto quando o seu filho estiver fazendo arte em qualquer sentido e recusar-se a vestir um terno incomodo lhe de todo o apoio "please"! É o mínimo que um pai tem que fazer. Dar asas ao filho e não algemas.
Tempos atrás li “O Processo” e nesse livro “Carta ao Pai” temos a oportunidade de entender um pouco mais do universo Kafkiano, seus dramas familiares e vida reprimida ao extremo que lhe levou a escrever este verdadeiro libelo contra a sociedade formal e idealizada. “O processo”(imperdível. Já dizia Paulo Francis!). Enfim, Kafka era um artista que não estava preso aos padrões tacanhos de sua época, às instituições que lhe eram pré-estabelecidas e foi totalmente incompreendido, especialmente e conforme já dito, pelo próprio pai. E aí está a força da literatura. Partindo desta frustração deixou todos esses belíssimos livros/confrontos entre a alma do artista e visão ímpar e o cotidiano cheio de labirintos incompreensíveis para aqueles que enxergam um pouco mais além como Franz Kafka, como eu, como você que leu até esta linha. Somos uns inconformados. E morreremos assim. Viva Bukowski que dispensava empregos em série. Viva os Beatniks que tinham o propósito de subverter as convenções e criaram um “way of life” próprio; enfim, todos esses fantásticos loucos que literalmente chutam e chutavam o balde no salão nobre da cúpula do poder convencional executivo, legislativo, judiciário, social...paterno....